sábado, 1 de junho de 2019

poesia para desconcertos


Poesia Para Desconcertos

Dia 7 junho 20h
Santa Paciência - Rua Barão de Miracema, 81 - Campos dos Goytacazes-RJ
com lançamento do livro Pátria A(r)mada, de Artur Gomes e
Sarau Dos Pretos e Das Pretas

elenco do Sarau: Adriana Medeiros, Adriano Moura, Aucilene Freitas, Carol Poesia, Dona Simone Pedro, Joilson Bessa, Marcelo Benjá Maylin Rosa Gonçalves

terra de santa cruz

ao batizarem-te
deram-te o nome:
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

Artur Gomes
Pátria A(r)mada
Editora Desconcertos - 2019

Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266



terça-feira, 28 de maio de 2019

XXI FestCampos de Poesia Falada


XXI FestCampos de Poesia Falada 
De 19 a 22 de setembro 2019

EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO N° 001/2019 CHAMAMENTO PÚBLICO PARA CREDENCIAMENTO DE PESSOAS FÍSICAS PARA O XXI FESTCAMPOS DE POESIA FALADA NA 3° EDIÇÃO DO FESTIVAL DOCES PALAVRAS DE CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ.

A Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Maria Cristina Torres Lima, no uso de suas atribuições legais convida todos para participarem do XXI FestCampos de Poesia Falada, na 3° edição do Festival Doces Palavras em Campos dos Goytacazes – RJ, que ocorrerá entre os dias 19 a 22 de setembro de 2019, na Praça do Liceu e seu entorno. Com entrada gratuita. O FestCampos de Poesia Falada criada em 1999, é aberto a todos os poetas brasileiros e tem, como objetivo fundamental, fomentar a criação e interpretação poética na cidade, na região, no estado e no país. Em razão disso, o projeto prever realização de Ofi cina de Poesia Falada durante os meses que antecedem a realização do Festival.

1. DA INSCRIÇÃO
1.1 O período de inscrição é de 1° de junho a 15 de agosto de 2019, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, no Teatro Municipal Trianon – Rua Marechal Floriano, 211, Campos dos Goytacazes – RJ, 28010-161.

1.2 O XXI FestCampos de Poesia Falada é aberto a poetas de todo território brasileiro, maiores de 18 anos com plena capacidade civil.

1.3 Cada poeta deverá entregar, em envelope A4 lacrado, três cópias de cada poesia, identificado com pseudônimo e ficha de inscrição (ANEXO I) preenchida. O envelope lacrado deve ter como destinatário “XXI FestCampos De Poesia Falada”.

1.4 A inscrição é gratuita.

1.5 Cada autor pode inscrever até 3(três) poesias.

1.6 As poesias devem ser digitadas, em fonte Times News Roman, tamanho 14, espaçamento 1,5, em folha A4.

1.7 Os envelopes podem ser entregues pessoalmente ou enviados pelos Correios (será conferida a data de postagem).

1.8 Poesias já publicadas ou que tenham participado de outros festivais podem ser inscritas, desde que não tenha sido apresentados em edições anteriores do FestCampos De Poesia Falada.

1.9 O autor deve indicar, na ficha de inscrição, quem será o intérprete de sua poesia, caso seja selecionado para as fases semi-fi nais(o intérprete pode ser o próprio autor ou outro artista convidado). Na ausência desta indicação, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima fica, automaticamente, autorizada a fazê-lo.

2.0 O tema é livre.

2.1 O autor, ao efetuar inscrição, assume inteira responsabilidade pelas informações prestadas e autoriza divulgação do trabalho a ser apresentado, bem como imagens relacionadas ao mesmo.

2. DA SELEÇÃO

2.1 O processo de seleção será feito por especialistas das áreas de Letras, Comunicação e Artes Cênicas, convidados pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima e a coordenação do XXI FestCampos de Poesia Falada que contará com duas etapas:

2.2 Primeira etapa: serão selecionados 60 (sessenta) poemas para as semi-finais; Segunda etapa: em cada semifinal serão apresentas 30 (trinta) poesias, sendo selecionadas 15 (quinze) para a grande final.

2.3 O resultado das 60 (sessenta) poesias selecionadas será divulgado pelo site da Prefeitura de Campos dos Goytacazes 15 (quinze) dias antes da data da primeira semifinal.

2.4 Os intérpretes das 60 (sessenta) poesias selecionadas serão convocados para Ofi cina de Interpretação Poética, a ser ministrada pelo poeta Artur Gomes, uma semana antes da realização da primeira semifinal.

3. DA APRESENTAÇÃO

3.1 A apresentação das 60 (sessenta) poesias semifinalistas acontecerá nos dias 20 (vinte) e 21 (vinte e um) de setembro.

3.2 A grande final se dará no dia 22 (vinte e dois) de setembro.

3.3 A comissão julgadora para as fases semifinais e final será formada por profissionais das áreas de Letras, Comunicação e Artes Cênicas, indicado pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.

4. DA PREMIAÇÃO
4.1 Serão distribuídos R$ 12.000,00 (doze mil reais em prêmios) assim distribuídos:

Autor -
1° lugar – 3.000,00 (três mil reais)
2° lugar – 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais)
3° lugar – 1.500,00 (mil e quinhentos reais)

Intérprete -
1° lugar – 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais)
2° lugar – 1.500,00 (mil e quinhentos reais)
3° lugar – 1.000,00 (mil reais)

4.2 A Conta Corrente informada na ficha de inscrição deverá ser do autor do poema. Também deverá ser informada a Conta Corrente do intérprete, se o mesmo não for o autor do trabalho.

4.3. Os vencedores, assim que solicitados, deverão enviar xerox dos seguintes documentos: CPF, RG, PIS/PASEP, Comprovante de Residência e Cartão Bancário.

5. DO RECURSO 
5.1 Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar o presente edital por irregularidade na aplicação da Lei nº. 8666/1993, devendo protocolar o pedido em até 5 (cinco) dias úteis que antecederem a abertura das inscrições.

5.2 A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), tem total autonomia na resolução dos casos não previstos por esse edital. 

Campos dos Goytacazes (RJ), 13 de maio de 2019.
Maria Cristina Torres Lima 
Presidente da Fundação Cultural Oswaldo Lima

FICHA DE INSCRICÃO

Título das poesias:___________________________________________ 
Pseudônimo:_______________________________________________ 
DADOS DO RESPONSÁVEL: 
Nome completo:____________________________________________ Nacionalidade:_____________________ Profissão:__________________________________________________
Estado Civil:_______________________________________________ Identidade:______________________ CPF:____________________ Endereço:__________________________________________________ Email:____________________________________________________
Telefone Fixo:_____________________ Celular:__________________
Conta Corrente:____________ Agência:___________ Banco:________

DADOS DO INTÉRPRETE:
Nome completo:_________________________________________ Identidade:________________ CPF:_________________________ Endereço:_______________________________________________ Email:__________________________________________________
Telefone fixo:_________________ Celular:____________________
Conta corrente:___________Agência:__________Banco:___________
Autorizo A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima a publicar minha poesia selecionada para o XXI FestCampos de Poesia Falada. _____________________________

quarta-feira, 17 de abril de 2019

XXI FestCampos de Poesia Falada





Alô alô poetas do Brasil

XXI FestCampos de Poesia Falada

O FestCampos de Poesia Falada, chega ao seu vigésimo ano de existência, e finalmente voltará a ser realizado como foi concebido em 1999. Em reunião ontem na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, com a sua Presidente, Cristina Lima, a Gerente de Literatura, Vera Carvalho e o Diretor da Biblioteca Nilo Peçanha, Maurício Xexeo,  ficou definido que o XXI FestCampos de Poesia Falada será realizado de 19 a 22 de Setembro. As inscrições estarão abertas a partir de 1 de junho e irão até o dia 20 de agosto.

Aguardem mais detalhes e a divulgação do Regulamento e um grande abraço a todos.





Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
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#FCJOL #PMCG #GerênciaLiteratura #GerênciaArteseOfício
Grupo


domingo, 31 de março de 2019

Relatório


Com Os Dentes Cravados Na Memória

I

na sala ficaram cacos de pratos
espalhados pelo chão. pedaços do corpo retidos
entre o corredor, após o interrogatório.
um cheiro forte de pólvora e mijo
misturados a dois ou três dias sem banho
depois de feito sexo.
só o fogo da verdade exalando odor e raiva
quando em verde, conspiravam contra nós.

em são cristóvão o gasômetro vomitava
um gás venoso nos pulmões já cancerados
nos quartéis da cavalaria.

II

me lembro.
o sentimento  era náuseas, nojo, asco,
quando as botas do carrasco
bateram nos meus ombros com os cascos.

jamais me esquecerei o nome do bandido
escondido atrás dos tanques
e
se chamavam:
                          Dragões da Independência
e a gente ali na inocência.
comendo estrumes. engolindo em seco
as feridas provocadas por esporas.
aguentando o coice, o cuspe,
e
a própria ira
                        dos animais de fardas
batendo patas sobre nós.

III

com a carne em postas sobre a mesa,
o couro cru, o coração em desespero,
o sangue fluindo pelos poros, pelos pelos.

eu faço aqui
meditações sobre o presente
re cri ando
                   meu futuro.
tendo o corpo em cada porta
e a cara em cada furo.

tentando só/erguer
as condições pra ser humano
visto que tornou-se urbano
e re-par-tiu
                     se
em mil pedaços
visto que do sobre-humano
restou cabeça, pés, e braços.

Artur Gomes
Couro Cru & Carne Viva - 1987



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

movimentos



Movimentos

Das Arcádias trago
os seios da senhora a Madona
Medusa a Monalisa
os mamilos de Vênus
as cochas de Afrodite
Zeus meu pai - acredite
o desejo desse beijo
em um tempo que não foi
no teu corpo minhas lavras
as palavras – alguma ilha
na parábola de nós dois

ouço a música nesse disco estrangeiro
e essa musa tem um que de Guanabara
no silêncio ela ri da nossa cara
a flor do mangue agora mora
onde era água e no seu leito jorra lama
por sua boca desdentada peixe podre
como uma Angra no poema a carNAvalha
o sal da terra naturalismo onde supunha
eco sistema não interessa ao mato grosso
o agro-negócio só quer saber  de criar bois
e o simbolismo da escrita é só metáfora
a concretude o modernismo vem depois

Artur Gomes
www.fulinaimicas2.blogspot.com





quarta-feira, 29 de agosto de 2018

mitológicas


Jura Secreta 106

Clarice deseja o indesejável
na escuridão o que não tem nome
o abominável dos desejos
no sagrado o que não se dizia
descrevias as galáxias de Haroldo
descendo ao concreto de Augusto
como se fosse simbolismo pós-moderno
em Dante queria sempre descer aos infernos
no silêncio seu barulho nas auroras
penetrando meus abismos
em labirintos pra mastigar meus pesadelos
quando a noite se vestia de mistérios
com 7 velas que acendia para Oxossi
entre as matas do seu corpo em desconcerto


Mitológica

O sorriso de Monalisa
na boca de Clarice eletri-fica
Zeus em mim por todas Heras
deusas angelicais
beijam meus lábios canibais
cantando salmos
em hóstias consagradas
no altar – secretas juras
e os bíblicos enciumados
excluíram meus poemas
das sagradas escrituras


Enigma número 2

arde em minhas mãos teus poros
minhas unhas ainda queimam
dentro o sal das tuas ágoras
outubro era quase um mar de folhas
no coliseu dos imigrantes italianos
e nossos corpos não tinham panos
nos planos só o amor das águas
o vinho temperava nossas línguas
ao mastigar a santa ceia
Clarice trigo do pão em minha boca
fermento de Zeus em nossas carnes
no vale Olimpo onde gozamos
com fachos de fogo em nossas veias

Artur Gomes





sexta-feira, 17 de agosto de 2018

jura secreta 103




Jura Secreta 103

Clarice em tudo que ainda não disse
em tudo o que ainda disser
nas páginas de um livro branco
como fosse um chocolate
quem sabe vento de maio
as flores do mal desfolhasse
nas pétalas do bem-me-quer
num carnaval na quarta-feira
Clarice a porta/bandeira
do mestre/sala  Federico Baudelaire

Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
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sábado, 11 de agosto de 2018

intervenção poética



meu poema no Lula Livro

 intervenção poética

minha metralhadora
cospe poesia porque o tempo não para
coice dentro da noite
caçando luz na escuridão

o tempo despeja
os ponteiros do relógio
sobre nossas carcaças
fumegantes

nervos e músculos
sustentam ossos em nossos corpos
vulneráveis aos contra-templos
dos trilhos

clamo por  intervenção poética
no morro do encantado
lançando fogos de artifícios
chuva de poemas
na cabeça dos fardados
com  papel para imprimir
flores - na boca dos fuzis
de cada soldadinho de chumbo

Artur Gomes



sexta-feira, 3 de agosto de 2018

juras secretas


Juras Secretas 
feitiçarias de Artur Gomes - por Michèle Sato 

Difícil iniciar um prefácio para abordar feitiçarias de um grande mestre. A mágica aparição do texto transborda sentidos cósmicos, como se um feixe de luz penetrasse em um túnel escuro dando-lhe o sorver da vida. Diariamente, recebo um deserto imenso de poemas e a leitura se esvai com “batatinha quando nasce põe a mão no coração”. Um ou outro me chama a atenção, desde que sou do chamado “mundo das ciências” e leio poemas com coração, mas inevitavelmente aguçado pelo olhar crítico vindo do cérebro. 

A academia pode ser engessada, mas é, sobremaneira, exigente. Aplaude o inédito, reconhecendo que o poema é um caos antes de ser exteriorizado, mas harmônico, quando enfeitiçado. A leitura requer algo como canto do vento, que não seja fugaz, mas que acaricie no assopro da Terra. Por isso, é com satisfação que inicio este pequeno texto, sem nenhuma pretensão de esgotar o talento do grande mestre, mas responder aos poemas de Artur que brilham, soltam faíscas, incendeiam-se em erotismo e garras enigmáticas. Ele transcende regras, inventa palavras, enlouquece verbos. E as relações estabelecidas revelam a desordem dos sonhos na concretude harmônica de suas palavras. 

A aventura erótica não se despede de seu olhar político. Situado fenomenologicamente no mundo, e transverso nele, Artur profana o sagrado com suas invenções transgressoras. Reinventa a magia e decreta uma nova vida para que o mundo não seja habitado somente pelos imbecis. Dança no universo, com a palavra fluída, imprevistos pitorescos, mordidas e grunhidos. Reaparece no meio de um cacto espinhoso, mas é absurdamente capaz de ofertar a beleza da flor. Contemporâneo e primitivo se aliam, vencem os abismos como se ao comerem as palavras monótonas, pudessem renascer por meio da antropofagia infinita de barulhos e silêncios. O sangue coagulado jorra, as cavernas se dissolvem e é provável que poucos compreendam a beleza que daí se origina. 

Nos labirintos de suas palavras, resplandece o guerreiro devorador, embriagado, quase descendo ao seu próprio inferno. Emana seu fogo, na ardência de sexo e simultaneamente na carícia do amor. Pedras frias se aquecem, coram com o tom devasso que colore a mais bela das pornofonias. Marquês de Sade sente inveja por não ser o único déspota das palavras sensuais. E os poemas de Artur reflorescem, exalam odor como desejos secretos e risos que ecoam no infinito. 

não fosse essa alga queimando em tua coxa ou se fosse e já soubesse mar o nome do teu macho o amor em ti consumiria (jura secreta 5) 

De repente um cavalo selvagem cavalga na relva úmida, como se o orvalho da manhã pudesse revelar o fogo roubado das pinturas rupestres. Ao som de tambores, suas palavras se tornam arte em si, como se fossem desenhos projetados em um fantástico mundo vertiginoso. Seres encantados surgem das águas originários de sentimento, abraçadas nas pedras lisas, rugosas, esverdeadas da terra. O fogo dança em vulcões e a metamorfose é percebida em seus ares. Os elementos se definem como bestas, humanos, ou segmentos da natureza como uma orquestra sinfônica que vai além da sonoridade. Adentram sentidos polissêmicos e, neste momento, até o André Breton percebe o significado das palavras de Artur, pois a beleza é convulsiva e crava no peito feito cicatriz. 

e o que não soubesse do que foi escrito está cravado em nós como cicatriz no corte (jura secreta 10) 

Da violação do limite, do fruto proibido ou da linguagem erótica, os poemas de Artur são orgasmos literários que oscilam entre o sacro e o profano. Sua cultura, visão de mundo e inteligência possibilitam ir além da pura emoção sentimental, evocando a liberdade para que a terra asfixiada grite pela esperança. Artur comunga com outros seres a solidariedade da Terra, ainda que por vezes, seja devastador em denunciar disparidades, mas é habilidoso em anunciar acalentos. A palavra poética desfruta fronteiras, e Roland Barthes diria que a história de Artur é o seu tributo apaixonado que ele presta ao mundo para com ele se conciliar. Em sua linguagem explosiva, provavelmente está a intensidade de sua paixão - um amor perverso o suficiente para viciar em suas palavras, mas delicado o bastante para dar gênese ao mundo enfeitiçado pela habilidade de sua linguagem. 

A essência deste perfume parece estar refletida num espelho, pois se as linguagens podem incluir também o silêncio, as palavras de Artur soam como uma melodia. Projetada numa tela, a pintura erótica torna-se sublime e para além de escrevê-las, ele vive suas linguagens. Esta talvez seja a diferença de Artur com tantos outros poetas: a sua capacidade de transcender a tradição medíocre para viver um intenso de mistério de sua poética. Ele não duvida de suas palavras, nem as censura para não quebrar seu encanto, mas devora em seu ser na imaginação e no poder de sua criação. Criador e criatura se misturam, zombam da vida, gargalham da obviedade. Põem-se em movimento na dança estrelas que iluminam a palavra. 

Os fragmentos poéticos são misteriosos de propósito, uma cortina mal fechada assinala que o palco pode ser visto, porém não em sua totalidade. Disso resulta a sedução para que ele continue escrevendo, numa manifestação enigmática do poder surrealista em nos alertar sobre nossas incompletudes fenomenológicas. O imperfeito é o sentido da fascinação, diria Barthes em seus fragmentos de um discurso amoroso. E a poética de Artur não representa ressurreição, nem logro, senão nossos desejos. O prazer do texto pode revelar o prazer do autor, mas não necessariamente do leitor. Mas Artur lança-se nesta dialética do desejo, permitindo um jogo sensual que o espaço seja dado e que a oportunidade do prazer seja saciada como se fosse um "kama sutra poético" para além do prazer corporal. Esta duplicidade semiológica pode ser compreendida como subversiva da gramática engessada - o que, em realidade, torna seus textos mais brilhantes. Não pela destruição da erudição, mas pela abertura da fenda, para que a fruição da linguagem seja bandeira cultural da liberdade. 

E a sua liberdade projeta-se num horizonte onde a dimensão sócio-ambiental é freqüentemente presente. É uma poesia universal de representações urbanas e rurais, de flora, fauna e fontes de praças públicas. Desacralizando o “normal previsível”, borda em sua costura de mosaicos, esquinas e passaredos. 

eu sei de gente e de bichos ambos atolados no lixo tem gente que come bicho tem bicho que come gente tem gente que vive no lixo tem lixo que mora no bicho gente que sabe que é bicho e bicho que pensa ser gente (jura secreta 28) 
A poética das Juras Secretas opõem-se a instância pretérita numa espiral de presente com futuro. Metafisicamente, desliga-se do momento agonizante e os olhos do poeta não se cansam, ainda que a paisagem queira cansá-los. Seu toque lembra o neoconcretismo, por vezes, cuja aparição na semana da arte moderna mexeu com os mais tradicionais versos da literatura ordinária. Mas sua temporalidade vence Chronos, na denúncia de um calendário tirano ao anúncio de Kairós, também senhor do tempo, mas que media pelos ritmos do coração. 

20 horas 20 noites 20 anos 20 dias até quando esperaria... até quando alguém percebesse que mesmo matando o amor o amor não morreria
. (jura secreta 51) 


É óbvio que a materialidade da linguagem, sua prosódia e seu léxico se mantêm no texto. Mas foge das estruturas engessadas do arrombo repetitivo, florescendo em neologismos verossímeis e ritmos cardíacos. Amiúde, são palavras jorradas em potente cultura significante. No chão dialogante, este poeta desestabiliza a normalidade com suas criações. 

por que te amo e amor não tem pele nome ou sobrenome não adianta chamar que ele não vem quando se quer porque tem seus próprios códigos e segredos mas não tenha medo pode sangrar pode doer e ferir fundo mas é razão de estar no mundo nem que seja por segundo por um beijo mesmo breve por que te amo no sol no sal no mar na neve(jura secreta 34) 

ARTUR GOMES é, para mim, um grande relato de seu próprio devir, que sabe poetizar a partir de seu vivido. E por isso, enfeitiça. 

domingo, 20 de maio de 2018

poesia viva poesia




Poesia Viva Poesia
Livro: "Juras secretas", poesia. Autor: Artur Gomes.


Lançamento - 10 de junho - 20h
com a performance Poesia Viva Poesia
Museu Nacional de Brasília -
Festival Transepoéticas

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema 
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura


Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - whatsapp

quarta-feira, 16 de maio de 2018

juras secretas - livro - lançamento



Livro: "Juras secretas", poesia. Autor: Artur Gomes.


Lançamento - 10 de junho - 20h
com a performance Poesia Viva Poesia
Museu Nacional de Brasília -
Festival Transepoéticas

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema 
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura


Artur Gomes
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Ainda Estamos Aqui

poema a(r)mado   todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal   e quando escrevo com enxada              ...