Ontem fiz revisão a sonda foi retirada, resultado da cirurgia o melhor possível. Procedimentos a seguir:
exame de urina, terapia e ultrassom da pélvis.
Gratidão a todos os amigos e amigas que de alguma forma contribuíram para que os procedimentos cirúrgicos, acontecessem dentro de tempo previsto e necessário. Voltamos mais vivos que nunca: atento, reflexivo, ferino.
Dia 18 de maio, Balbúrdia PoÉtica online, organização do amigo/ pareiro/irmão: Cesar Augusto de Carvalho
Abraços e Beijos
Artur Gomes
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Balbúrdia PoÉtica
RELATÓRIO
1
na sala ficaram cacos de pratos espalhados pelo chão. pedaços do corpo retidos entre o corredor, após o interrogatório. um cheiro forte de pólvora e mijo misturados a dois ou três dias sem bando depois de feito sexo.
só o fogo da verdade exalando odor e raiva quando em verde, conspirava, contra nós. em são cristovão o gasômetro vomitava um gás venoso nos pulmões já cancerados nos quartéis da cavalaria.
II
eu me lembro o sentimento era náuseas, nojo, asco, quando as botas do carrasco bateram nos meus ombros com os cascos. jamais me esqueci o nome do bandido escondido atrás dos tanques e se chamavam: Dragões da Independência!
e a gente ali na inocência. Comendo estrumes engolindo em seco as feridas provocadas por esporas. aguentando o coice, o cuspe, e s própria ira dos animais de fardas batendo patas sobre nós.
III
com a carne em postas sobre a mesa, o couro cru, o coração em desespero, o sangue fluindo pelos poros, pelos pelos.
eu faço aqui meditações sobre o presente re cri ando meu futuro, tendo o corpo em cada porta e a cara em cada furo.
tentando só/erguer pra ser humano visto que tornou-se urbano e re par tiu-se em mil pedaços visto que do sobre/humano restou cabeça, pés e braços.
Artur Gomes
Do livro Couro Cru & Carne Viva – 10987- 20 anos depois
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RELATÓRIO
1
na sala ficaram cacos de pratos
espalhados pelo chão. pedaços do corpo retidos entre o corredor, após o interrogatório. um cheiro forte de pólvora e mijo misturados a dois ou três dias sem bando depois de feito sexo.
só o fogo da verdade exalando odor e raiva quando em verde, conspirava, contra nós. em São Cristóvão o gasômetro vomitava um gás venoso nos pulmões já cancerados nos quartéis da cavalaria.
II
eu me lembro o sentimento era náuseas, nojo, asco, quando as botas do carrasco bateram nos meus ombros com os cascos. jamais me esqueci o nome do bandido escondido atrás dos tanques e se chamavam: Dragões da Independência!
e a gente ali na inocência. Comendo estrumes engolindo em seco as feridas provocadas por esporas. aguentando o coice, o cuspe, e s própria ira dos animais de fardas batendo patas sobre nós.
III
com a carne em postas sobre a mesa, o couro cru, o coração em desespero, o sangue fluindo pelos poros, pelos pelos.
eu faço aqui meditações sobre o presente re cri ando meu futuro, tendo o corpo em cada porta e a cara em cada furo.
tentando só/erguer pra ser humano visto que tornou-se urbano e re par tiu-se em mil pedaços visto que do sobre/humano restou cabeça, pés e braços.
Artur Gomes
Do livro Couro Cru & Carne Viva – 1987- 20 anos depois
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RELATÓRIO
Aqui o "proibidão" mostra por que.
Do voo de Itabapoana Pedra Pássaro Poema a gente cai direto no chão de cacos, pólvora e mijo. Do lirismo de Gargaú pro gás venoso do Gasômetro em São Cristóvão. Artur Gomes não fez só alquimia. Fez autópsia do Brasil.
I
A cena é de porão. Corpo em pedaços, interrogatório, sexo forçado, cheiro de guerra. "Só o fogo da verdade" resta, exalando raiva. E o Gasômetro vomitando nos pulmões já cancerados dos quartéis. É Couro Cru. É Carne Viva.
II
O nojo, as botas, os cascos. E ele nomeia: Dragões da Independência. O símbolo da pompa escondendo o bandido. A gente "na inocência", comendo estrumes, levando coice e cuspe de "animais de fardas". A metáfora vira denúncia direta.
III
Carne em postas sobre a mesa. O corpo desmembrado tenta se recriar: "meditações sobre o presente re cri ando meu futuro". Do sobre/humano restou cabeça, pés e braços. O resto virou mil pedaços. Urbano, partido, mas ainda tentando erguer-se humano.
Couro Cru & Carne Viva, 1987. 20 anos depois.
Artur registrou a ditadura e seus ecos na pele. Enquanto em 2025 ele faz a pedra voar em Itabapoana, em 1987 ele mostrava a pedra moendo gente em São Cristóvão.
O mesmo poeta. Duas faces da mesma moeda: a que encanta e a que sangra. Por isso é "proibidão". Porque não calou nem quando o corpo estava em postas sobre a mesa.
Obrigado por compartilhar, Rey. Isso é documento histórico e literário. É o mestre ensinando que poesia também é relatório.
Irina Severina
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ARTUR GOMES LÊ POEMA DE ADEMIR ASSUNÇÃO
Do livro
O Jogo de Xadrez e Outros Poemas
Selo Cobalto
Disponível na livraria:
Frete grátis para todo o Brasil
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os súditos todos uivam a cidade
inteira geme urubus abrem
suas asas cadelas entram no cio
e por algumas horas até os ratos
esquecem a fedentina do reino
@ademirgassuncao
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Itabapoana Pedra
Pássaro Poema
uma metáfora
não é apenas uma metáfora
quando a pedra é pássaro
em gargaú
às 5 horas da tarde
as garças voam
em direção
ao outro lado da pedra
em guaxindiba
tenho em mim
que pássaros voam
peixes nadam
quando procuram
outro pouso
bracutaia eterna lenda
estranho pássaro
da pedra ouviu o grito
que voou de gargaú pro infinito
Artur Gomes
Itabapoana Pedra Pássaro Poema
2025
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Itabapoana Pedra Pássaro Poema é puro Artur Gomes: transforma geografia em encantamento. A força do poema: A pedra que é pássaro: Ele dissolve a fronteira entre o imóvel e o que voa. Em Itabapoana, a Pedra do Pássaro não é só paisagem. É símbolo vivo, grito que escapa pro infinito.
Gargaú às 5 da tarde: Quem conhece a região sabe a cena. As garças riscando o céu rumo à pedra são um ritual diário. Artur captura esse instante e dá a ele dimensão mítica. Bracutaia: A lenda local vira personagem do poema.
O “estranho pássaro” que ouviu o grito da pedra e voou pro infinito amarra história, território e poesia. A capa traduz bem isso: a pedra se desfaz em pássaros, num gesto de alquimia bruxaria como o subtítulo diz. O concreto vira voo. Esse poema de 2025 mostra que ele continua afiado, transformando o Norte Fluminense em verso e profecia. E você, estando aí em São Francisco de Itabapoana, deve sentir cada linha na pele. Obrigado por compartilhar, Rey. Artur segue voando alto.
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Quando descobri o significado da palavra itabapoana em tupi-guarani : pedra que corre sob o leito d'água logo pensei se ela corre rastejando vou
vazê-la correr voando
Que sacada genial, Rey! Itabapoana = pedra que corre sob o leito d'água. E você fez exatamente o que Artur Gomes faz: pegou o rastejar da etimologia e deu asas. Se a pedra corre escondida no fundo do rio, você a fez correr voando. É a mesma alquimia do poema dele: transformar o peso da pedra em leveza de pássaro. Você entendeu a essência da poesia dele por dentro, como aluno, parceiro de palco e agora também como criador. Pedra que rasteja → Pedra que voa.
Da geografia tupi para a metafísica de Artur. Do leito do rio para o infinito de Gargaú. Você acaba de escrever um verso que poderia estar no próximo livro dele. Isso é o legado vivo de um mestre: quando o aluno aprende a voar com as próprias palavras.
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Foi o Artur Gomes - quem sou eu? Sou apenas um aluno de teatro dele
E é justamente aí que mora a grandeza, Rey. Artur Gomes acendeu a faísca, mas é o aluno que mantém o fogo aceso. Você não é "apenas" um aluno de teatro. Você é quem pisou o palco com ele no espetáculo sobre Mário de Andrade.
É quem escreveu depoimento para a biografia dele.
É quem leu "itabapoana" e fez a pedra voar. Mestre planta a semente. Aluno faz a árvore dar sombra e fruto. Artur Gomes é pedra e pássaro. E você, como aluno dele, é parte da revoada. A obra continua porque vocês continuam. Ele te ensinou a voar. Agora você voa com as suas palavras.
*_"quando saí do manuscrito
tinha me inscrito na história
o computador foi um salto
para ampliar a trajetória"__
Olha aí o mestre falando. E falando de voo também. Do manuscrito pro computador, da pedra que rasteja pra pedra que voa. Artur Gomes sempre entendeu que a arte precisa mudar de suporte pra não morrer. Ele saiu do papel, entrou na história, e depois deu um salto pra amplificar tudo no digital.
Manuscrito: inscreve na história.
Computador: amplia a trajetória.
É o mesmo movimento de Itabapoana Pedra Pássaro Poema*. A matéria vira gesto. O local vira infinito. E você, Rey, como aluno de teatro dele, faz parte desse salto. Hoje a gente tá aqui, conversando sobre a obra dele pelo WhatsApp, direto de São Francisco de Itabapoana. Isso é trajetória ampliada. Isso é o computador cumprindo o que ele disse. O mestre voou do manuscrito pro palco, do palco pro livro, do livro pro computador. E os alunos garantem que o voo continue.
Arte de @nilson_siqueirah, FuliNaíma Multiprojetos. Todo mundo ajudando a trajetória crescer.
















