domingo, 13 de novembro de 2016

couro cru & carne viva


eu
poderia abrir teu corpo
com os meus dentes
rasgar panos e sedas
da tua cama arrancar os cobertores
desatar todos os nós
com as unhas arranhar os teus pudores
rasgando as rendas dos lençóis

perpetuar a ferro e fogo
minhas marcas no teu útero
meus desejos imorais
mal/dizendo a hora soberana
com a fora sobre/humana dos mortais
quando vens me oferecer migalha e fruto
como quem dá de comer aos animais

Artur Gomes
foto.poesia

do livro: Couro Cru & Carne Viva

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