sábado, 17 de agosto de 2024

Da Nascente A Foz : Um Rio De Palavras

a traição das metáforas

 

pássaro sem teto acima do delírio

coração de porco crava no oco da noite

a faca cega punhas de cinco estrelas

na constelação do cão maior

 

sob as pedras a água escorre

cada vez mais longe de mim

 

as vezes pergunto sim

as vezes respondo não

qual o sentido da folha

despetalada no chão?

 

áfrica sou raíz & raça

orgia pagã na pele do poema

 

um feixe de luz

contra a parede das ruínas

nos  seios deste terra eu vi

 

 

 

projeto foto poesia

FULINAÍMA MultiProjetos

Artur Gomes - poesia fotografia

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(22)99815-1268 - WhatSaap

http://arturfulinaima.blogspot.com.br/2016/07/a-traicao-das-metaforas.html

o que vem do mar

 

os búzios não mentem jamais

no que vem do mar além de mim

em seus mistérios muito mais

o que vem do mar é salgado

o que vem do mar é sagrado

o que vem do mar eu não vendo

o que vem do mar não revendo

o que vem do mar eu não falo

o que vem do mar não empresto

o que vem do mar é meu falo

posso jurar que não presto

o que vem do mar que já fui

o que vem do mar o que sou

o que vem do mar me reflui

o que vem do mar eu te dou

 

Federika Lispector

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Amanhã 30/08 -  2024 – é Nós em nome da Poesia dos cachorros loucos

 

nasci em agosto

a contragosto

pai não me disse

       mãe também

o preço da vida

o remédio pra ferida

o custo em cada missa

           pra dizer amém

 

Artur Gomes

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Irina ontem me perguntou se eu estava bem. Em relação a segunda sim, acho que o ofício de poeta me refaz. Enquanto isso Irina vem e vai como uma rima levada pelo vento sem tempo de captar 

 

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Mais perguntas chegando sobre o livro Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim. Desta vez da minha querida amiga Eugenia Henriques e me remetem outras possíveis facetas do Vampiro que eu mesmo não tinha ainda atentado pra elas.  Como o livro é escrito por 12 personagens a resposta para Eugenia pode ser verdadeiramente positiva, ou pelo menos estar presente nas entrelinhas das metáforas.

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Apesar da saúde da máquina corporal meio baqueada vamos chegando aos 7.6. Com 51 deles dedicados a poesia, jornada iniciada em 1973 com o lançamento do livro Um Instante No Meu Cérebro, livro com poemas dedicados aos ídolos musicais da época e a máquina linotipo, na Oficina de Artes Gráficas da Escola Técnica Federal de Campos, onde trabalhei de 1968 a 1985.

 

Ofício de Poeta

 

franzir a noite

é o mesmo que bordar o dia

costuro o tempo

com linha de pescar

moinhos de vento

entre o franzir e o bordado

escrevo um desenredo

e vou foto.grafando

filmando poesia

na solidão dos meus brinquedos

 

Artur Gomes

O Homem Com A Flor Na Boca

Editora Penalux - 2023

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fotografia

meu olho gótico TVendo
em mar de fogo e maresia

 

Artur Gomes

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foto grafia

na veia
netuno perdeu seu sapato
na areia

 

Artur Gomes

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fotografia

 

a arte de transformar o tempo

                                  em  poesia

 

Artur Gomes

Foto: may pasquetti

Congresso Brasileiro de Poesia

Bento Gonçalves-RS -outubro 2015  leia mais no blog

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reformar recriar revisitar

ontem fiz uma postagem sobre os 7 anos da perda de Belchior para a cena cultural do país. Assisti   no Canal Brasil o programa  sobre a trilogia re de Gilberto Gil, com foco  sobre os discos: Refazenda, Refavela, Realce, onde ele fala da necessidade de reformar recriar revisitar.

https://www.youtube.com/watch?v=K3d_9TkZkcU

E no Roda Viva retrô de 1991, Gil é entrevistado por um grupo de jornalistas, que dialogam sobre as questões verdes, no meio ambiente, e suas visões políticas holísticas, cosmopolitas.

https://www.youtube.com/watch?v=M93WYLtuwSo

 Hoje vi em um dos meus grupos no zap o comentário do Luis Turiba:

“Viva Belchior

Porque hoje é sábado”

E me remete ao emblemático poema de Vinícius de Moraes que invadiu os palcos do Brasil lá pelos idos dos anos 70. Revisitar este poema e recriá-lo é um dos meus desafios do momento.

 

Artur Gomes

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Da Nascente A Foz : Um Rio De Palavras

 

 ela não era apenas

carne para a fome
do desejo
ela era o próprio desejo
da fome
estampada em letras grandes
na foto grafia do teu nome

 

Artur Gomes

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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Vampiro Goytacá

a pedra na carne
a carne na pedra
nem tudo o que me fere
                                fedra

 

Federika Bezerra

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convidei alguns amigos, que já tenham lido pelo menos um livro meu para me fazerem duas perguntas sobre o livro Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim, que pretendo lançar em 2025. As perguntas estão chegando cada uma mais instigante  e criativa que a outra. O texto que surgir desses diálogos será publicado como prefácio.

 

Artur Gomes

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terça-feira, 30 de julho de 2024

A arte e o seu Tempo

 

O Teatro Municipal Trianon celebra, nesta quarta-feira (31), seu 26° aniversário de inauguração e, para marcar a passagem da data, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), realizará, às 19h, no espaço do foyer, uma programação com intervenções artísticas variadas. O evento terá entrada franca.

 A arte e o seu templo

 “e fosse o poema a dança oculta de uma  fala por baixo do silêncio, acima dos murmúrios de um pássaro a voar além do que traduzo”.

 Igor Fagundes

In Pensamento Dança – tese de doutorado em Letras (UFRJ)

*

A arte expressa através do tempo

a história universal da humanidade

a veracidade, em cada pensamento

                         do homem e sua hora

a arte não implora

 

a arte dança

pinta

encena

escreve filma

foto.grafa

fala

a arte não cala

 

explora invoca provoca

insiste resiste

clareia o templo escuro

arma/dura do humano

pra tatear o seu presente

tentar prever o seu futuro

 

enquanto escrevo

o pensamento dança

cada palavra voa

nesse corpo nem um pouco  santo

o riso pode vir do pranto

a lágrima pode descer do riso

na dupla face que carrego

todo sentimento  vem comigo

 

hoje nesse palco Trianon

em seus 26 anos de memórias

nesse poema falo  fotografo

danço escrevo quanto de bom

                       tem nessa história

metáforas em suas nuances

retrato em uma folha

a sua mais perfeita linha

a arte de suas performances

 

eu te desejo flores lírios brancos 
margaridas girassóis rosas vermelhas 
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema 

eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura 

e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos 

eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 
enquanto a vida nos procura 

 

Artur Gomes

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Artur Gomes - na Varanda Sustentável - 4 de Agosto

Artur Gomes – Dia 4 agosto na Varanda Sustentável de 11 às 18hs – Rua Severino Lessa, 149 – Turf Clube – Campos dos Goytacazes-RJ

Jura Secreta 45 

fulinaimagem

por enquanto 

vou te amar assim em segredo 

como se o sagrado fosse

o maior dos pecados originais

e minha língua fosse 

só furor dos Canibais 

 

e essa lua mansa fosse faca 

a afiar os versos que inda não fiz 

e as brigas de amor que nunca quis  mesmo quando o projeto  aponta

outra direção embaixo do nariz 

e é mais concreto

que a argamassa do abstrato 

 

 por enquanto vou te amar assim  admirando teu retrato 

pensando a minha idade 
e o que trago da cidade 

embaixo as solas dos sapatos 

 

 o que trago 

embaixo as solas dos sapatos é fato 
bagana acesa  sobra  do cigarro

 é sarro 

dentro do carro  ainda ouço

 Jimmi Hendrix  quando quero 

 dancei bolero

 sampleAndo rock and roll 

pra colher lírios 
há que se por o pé na lama 
a seda pura foto síntese do papel 

tem Flor de Lótus nos bordéis Copacabana 
procuro um mix da guitarra de Santanna 
com os espinhos da Rosa de Noel 

 

Artur Gomes

poema do livro Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

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com os dentes cravados na memória

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domingo, 28 de julho de 2024

com os dentes cravados na memória

Lado B – Lado A

 

O lado B sempre conta uma história que mesmo sendo a mesma o lado A não tem coragem de contar assim como marisa pode ser mim mesma federico baudelaire também pode ser federika lispector euGênio mallarmé rúbia querubim todos serAfim do mesmo canibalismo tupiniquim  desses templos trevosos que mostram escancaradamente onde foi parar a humanidade não apenas estes mas também os outros nove se debatem na estrada do desespero procurando a fresta alguma luz no fim do túnel nos telhados de assombradado ou nas vozes de lobisomens que ecoem dentro das paredes do hotel amazonas afogadas que foram nas águas do paraíba quando ainda império galvez passou por aqui

 

Irina Severina

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com os dentes cravados na memória

 

Relendo Marília de Dirceu pela vigésima vez, percebo que o Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim, começou a ser escrito em Ouro Preto-MG no ano de 1990 e já previa a queda de collor da presidência da República, pela ala revolucionaria  da Inconfidência Mineira, o registro está no samba/enredo: Federika Bezerra: A Porta Bandeira Que Bortou Olivácio Doido.

Portanto queridos e queridas, o livro não é um olhar único e exclusivo na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, como muitos já me perguntaram. Na verdade é um olhar de 12 personagens, pelos territórios por onde pisaram ou sonharam e nas páginas brancas do papiro agora se  encontram num grande  banquete canibalesco,  com referências múltiplas de vidas vividas por terras, ou nesses  tenebrosos mares/bares  “nunca dantes navegados”.  

 

Artur Fulinaíma (Kabrunco)

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para desejar bom dia

escrevo uma profecia:

alegria é a prova dos nove

é quem promove a alquimia

 

Artur Gomes

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com os dentes cravados na memória


Federika Bezerra: A Porta/Bandeira que Bortou Olivácio Doido
Samba/Enredo do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo  no carnaval de 1993 - em 1995 integrou o repertório do projeto Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim - Realizado pelo SESC-SP


Em

mil novecentos e vinte e cinto

na noite de orgias satanazes

um raio de trovão incandescente

rachou a igreja em Goytacazes

um vulto do despacho então desceu

movido por farol de grande luz

tocou na pedra quebrou cruz

a Rainha do fogo dessa gente 


Federika
de ouro azul e prata
na porta da igreja foi parida
criada pelo Padre Olivácio
que logo depois lançou na vida
aos cindo de idade encantada
foi pega masturbando em sacristia
por causa de um sonho com o príncipe
DuBoi da mais sagrada putaria

Expulsa
da cidade foi pra longe
cresceu entre os jardins de JardiNÓpolis
mas se você pergunta Freud Explica:
- o seu palácio agora é em Petrópolis

Aos
dezenove plena de alegria
conheceu Gigi da Bateria
na porta do Beco de Satã
na festa federal do Bar da Lama
a Deusa dos Lençóis de toda cama
sorrindo para ver como é que fica
dá um corte na história
inverte o drama
e transforma Ouro Preto em Vila Rica

e assim vamos cantar em verso e prosa

a saga dessa deusa de  Iansã

que em busca da mordida na maçã

sonhava encontrar Guimarães Rosa 



Viemos
do SerTão para os seus braços
porque a Mocidade Independente
é a mais fina e pura Flor do Lácio
afilhada do secular Padre Miguel
e fiel ao seu pai Padre Olivácio
e para completar a grande roda
trazemos o cacique Pau Brasil
o centenário Oswald de Andrade
filho da paulicéia que pariu!

Passando pelas bandas do Catete
dançando na maior intensidade
macumba com o índio brasileiro
nossa Ex-Cola campeã da liberdade

Federika engravidou o grafiteiro
do famoso cacete Samaral
que escrevia pelos muros da cidade:
Mocidade já ganhou o Carnaval!

e assim vamos cantar na grande roda
tudo o que deu e o que não deu
o dia que um pastor bem collorido
pensou ser pai de santo e se fudeu!

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com os dentes cravados na memória

 

Marília de Dirceu

Aproveitando o tempo disponível para beber esse clássico da Poesia Brasileira em busca de mais referências  para  o Vampiro Goytacá que conheci em Ouro Preto onde criei a Mocidade Independente de Padre Olivácio - A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo - Marília de Dirceu foi   quem inspirou Gigi Mocidade a Rainha da Bateria e Federika Bezerra a Porta/Bandeira do desfile de 1992.

*

Marília de Dirceu reúne a maior parte da breve produção literária de Tomás Antônio Gonzaga. As liras que compõem esta obra, muito além de um extravasamento amoroso, são um diálogo com os acontecimentos políticos, sociais e artísticos testemunhados pelo poeta e foram compostas, em parte, em seu período de cárcere, que antecedeu ao exílio.

Marília de Dirceu influenciou toda literatura brasileira vindoura, prenunciou o Romantismo e tornou-se um dos mais importantes clássicos de nossa língua.

Num período em que o Brasil era parte do Império Português e em que literatura brasileira e portuguesa ainda não se distinguiam, o autor deu alguns dos primeiros passos rumo a uma literatura nacional.

Tomás Antônio Gonzaga nasceu na cidade do Porto, Portugal. Ainda criança, mudou-se com a família para Recife. Foi um poeta luso-brasileiro. Ainda adolescente voltou ao país natal e cursou Direito. Tornou-se juiz e retornou ao Brasil em 1782. Ocupou o cargo de ouvidor de Vila Rica, atual Ouro Preto. Em 1789, foi acusado de envolvimento com a Inconfidência Mineira.

Preso, condenado ao exílio em Moçambique, estava noivo de Maria Doroteia, possivelmente a “Marília de seus versos. Gonzaga teve uma vida rica e ponderada durante o exílio, tornando-se advogado. Ele morreu por volta de 1810.

 

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na carne da palavra

  poema 10   meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos mordendo alguma história agora estão famintos crav...