sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Jiddu Saldanha entrevista May Pasquetti

fonte: http://curtabrisa.blogspot.com


May Pasquetti é atriz, poeta e completará sua formação em biologia este ano. É Gaúcha de Bento Gonçalves, a cidade que realiza o Congresso Brasileiro de Poesia a quase 20 anos. Atualmente vive e estuda em Porto Alegre. 

Escolhida para protagonizar o primeiro filme do Projeto Cinema Possível em HD, uma produção de 2011; May Pasquetti não é só um rosto bonito das terras gaúchas, mais que isso, ela é uma pessoa que transborda humanidade e inspiração. Sensível, debochada, brincalhona, tem o toque mágico das atrizes de cinema.

May Pasquetti. Um passeio pela cidade de Paris - 2010.
Cinema Possivel – Fale um pouco da sua vida, sua história, as lembranças da cidade de Bento Gonçalves, sua terra natal.

May Pasquetti - Vivi em Bento durante toda a minha infância e adolescência, até os 17 anos. Tenho milhares de lembranças sobre a cidade, de todos os tipos. Bento é uma cidade muito bonita; diria que em uma primeira impressão seria arrumada e aconchegante. É um lugar ótimo para conhecer e passar um tempo, mas sempre tive dificuldades para ver a cidade como minha casa. Imagino que essa sensação tenha relação com a falta de oportunidade para minhas áreas de interesse (artes e biologia) e com o aspecto provinciano da cidade.

A colonização prioritariamente italiana dá um tom conservador e muito ligado as aparências e isso me incomoda! A parte isso, tive uma ótima infância: brinquei muito na rua, subi em árvores, vivia com as pernas roxas! Adorava correr pelo “calçadão”, como chamamos a praça do chafariz de vinho, em frente à prefeitura. Passei boa parte da minha adolescência no shopping Bento com a “galera da lan house”, onde conheci meu primeiro namorado e fiz bons amigos. Não era muito próxima dos meus colegas da escola, na verdade fiquei mais amiga dos meus professores! Enfim, tenho carinho pela cidade, retorno pra lá mais ou menos a cada 15 dias para visitar meus pais, e tenho sim boas lembranças de lá. Recomendo muito para conhecer e realmente há vinhos ótimos e vinícolas lindas! E claro, no Congresso de Poesia, Bento Gonçalves se transforma!

CP – Como foi que você se interessou pela poesia.

MP - Meus pais sempre me incentivaram a ler. Desde pequena fui uma grande devoradora de livros. Descobri alguns poetas nas aulas de português/literatura do colégio, mas o interesse de conhecer mais veio por conta própria. E claro, desde que venho participando do Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, e que comecei a me arriscar a escrever, tenho cada vez mais contato.

CP – Quais são seus poetas preferidos, vivos e mortos. Você tem alguma predileção?

MP - Nossa! Posso fazer uma lista enorme. Não tenho predileções. Acho que um dos pontos altos da poesia é justamente o fato dela ser mutável: cada vez que leio um poema surge uma nova interpretação. Então, os meus poetas prediletos acabam variando muito de acordo com o momento em que estou vivendo. Não vou citar nome de amigos pra não esquecer alguém! Mas pra citar alguns dos clássicos adoro Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Drummond, Neruda, Torquato Neto, Arnaldo Antunes, Baudelaire, Leminski, Ferreira Gullar, Florbela, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Rimbaud e muitos outros.

os sons lépidos
das palavras sórdidas
de um convite rápido
com desejos tórridos

depois cálida
flutuo límpida
me sentindo única
nos teus braços súbitos

(May Pasquetti)

 CP – No congresso de Poesia, em Bento, você é conhecida por dominar uma parte do repertório do poeta Artur Gomes, como foi que você se aproximou da poesia dele?

MP - Durante o Congresso Brasileiro de Poesia os poetas visitam as escolas da cidade fazendo apresentações e palestras, e a minha foi uma dessas. Lembro de irem dois anos seguidos Artur Gomes, Nayman, Christian (acho que era esse o nome, um menino moreno bem novo, não vi ele nos últimos congressos) e o próprio Jiddu Saldanha (que eu ajudei numa mímica, algo como segurar um copo imaginário que ele enchia). Depois disso procurei o Artur na internet (acho que ele colocou o orkut e o blog dele no quadro) e começamos a conversar. Um dia, perto de julho de 2006, ele me enviou umas cenas de teatro dele, e disse que queria encená-las no Congresso e eu me convidei para participar. Naquele ano Artur foi uma semana antes pra Bento para ministrar uma Oficina de Poesia Falada, da qual também participei, e ensaiamos. Desde então venho participando com ele do Congresso de Poesia. Também fizemos um recital juntos na Fenavinho Brasil 2007 e participamos do III VMH New Scene, no Rio.

May Pasquetti, meio musa, meio poeta, gente por inteira!
CP – Atualmente na universidade, você está estudando em Porto Alegre, fale um pouco da sua formação, projetos para o futuro e possibilidades dentro do mercado de trabalho.

MP - Estou terminando o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. As possibilidades no mercado dentro de Biologia são bastante amplas, o curso permite desde a docência em escolas de Educação Básica até a pesquisa de ponta em grandes empresas e Universidades. Eu pretendo seguir estudando na área de Bioquímica. Vou me formar no final deste ano (2011) e entrar para o Mestrado.

tempo
grandeza vã

capaz de se perder
no espaço
esfacelar-se em pó

dono de longos
e ligeiros passos
faz-se ausente
até deixar-nos
sós

(May Pasquetti)


CP – Como surgiu teu interesse pelo Cinema Possível.

MP - Sou uma grande admiradora de todos os tipos de arte. Conheci o Jiddu no Congresso de Poesia faz 5 anos, e desde então temos feito alguns pequenos filmes, que rodam pelo Youtube. Já vi vários filmes produzidos pelo projeto e achei todas as idéias do Cinema Possível incríveis. Agora em 2010 surgiu essa idéia do curta e Jiddu me convidou para filmar com Artur e Jorge. E tem sido ótimo! Agora não paro mais!

CP – Quem é Mayara Pasquetti por Mayara Pasquetti?
MP - Uma doida responsável, extremamente determinada e persistente, que adora arte de todos os tipos e que tenta fazer as outras pessoas gostarem também, uma (quase) bióloga, alguém que tenta ajudar os amigos sempre que pode, uma aprendiz de poeta, uma chata perfeccionista pra caramba, mas acho que antes de tudo sou alguém em constante aprendizado, que tenta tirar o máximo de todas as situações e que ainda tem muito pra aprontar por aí!

Marisa Vieira comenta May Pasquetti.

A primeira vez que assisti uma apresentação de May Pasquetti fiquei impressionada com tamanho talento de uma moça tão jovem. Praticamente uma "Pagu" da nova geração.

May tem uma ousadia de misturar o sagrado com profano e ainda te deixar com o gostinho de querer beber mais de sua poesia.

No palco é singular, consegue ser várias e ao mesmo tempo uma só, uma atriz revelação, dividir o palco com May Pasquetti foi e sempre será uma grande honra!

Fico por aqui torcendo que o "Brisa" possa soprar aos quatro cantos do mundo e todos possam conhecer o talento e poesia de May Pasquetti.

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