sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Recital de Poesia - 16/12 - 19:30h - na ACL


Com Os Dentes  Cravados na m
Memória

Há algum tempo venho escrevendo alguns textos com este  título para contar um pouco da minha trajetória de andanças poéticas p0r  este país afora. Não sei se um dia isto vai se transforma em discurso memorialista, mas pelo menos vai servir para quem lê, entender que poesia se produz com vivências.

Na ACL  Com Os Dentes Cravados na Memória, será um recital de poesia, com um passeio dos anos 80 para cá, com a poesia presente nos livros: Suor & Cio, Couro Cru & Carne Viva, CarNAvalha Gumes, BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas e SagaraNAgens Fulinaímicas. 

A idéia de transformar esse passeio poético em recital surge em setembro de 2016 quando em Bento Gonçalves-RS, na abertura do XXIV Congresso Brasileiro de Poesia é anunciado que serei um dos  poetas homenageados em 2017.

Na ACL aceitando o convite do meu grande amigo Hélio de Freitas Coelho, pretendo além de falar meus poemas desse  período, prestar também a aminha homenagem ao meu grande amigo e poeta que partiu para outras esferas do planeta: Ferreira Gullar.

Como há tempos não tenho um encontro com o público de Campos, pretendo também bater um papo, sobre arte e poesia, linguagem,  dentro do que tenho produzido em minhas andanças, onde se inclui também o Audiovisual. 





tecidos sobre a terra

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço

usina
mói o braço
a carne o osso

usina
mói o sangue
a fruta e o caroço

tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro



Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos

https://www.facebook.com/studiofulinaima/videos/1236814616413456/?hc_ref=PAGES_TIMELINE


do livro: Suor & Cio 1985

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

onde foi parar esta grana meu amor?



Eu só queria saber
onde foi parar essa grana meu amor!
será que viajou para o Japão?
será que navegou pelo vapor?
será que escorregou pelo canal?
será que fizeram dela carnaval?
ou simplesmente evaporou


eu só queria saber
por quê tu é tão cara de pau
ó minha cidade - Meu Amor!
até a filha já aprendeu a encenar
nesse Teatro Enganador - 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Suor & Cio




Engenho

minha terra
é
de senzalas tantas
e enterra em ti
milhões de outras esperanças.

soterra em teus grilhões
a voz que tenta - avança
planta em ti
como canavial que a foice corta.

mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo -  o vão
- estreito em cada porta.

Artur Gomes
in Suor & Cio - 1985

obs.: em 1987 este poema foi publicado na Antologia Carne Viva - a primeira antologia de poesia erótica publicada no Brasil, organizada por Olga Savary.



domingo, 13 de novembro de 2016

couro cru & carne viva


eu
poderia abrir teu corpo
com os meus dentes
rasgar panos e sedas
da tua cama arrancar os cobertores
desatar todos os nós
com as unhas arranhar os teus pudores
rasgando as rendas dos lençóis

perpetuar a ferro e fogo
minhas marcas no teu útero
meus desejos imorais
mal/dizendo a hora soberana
com a fora sobre/humana dos mortais
quando vens me oferecer migalha e fruto
como quem dá de comer aos animais

Artur Gomes
foto.poesia

do livro: Couro Cru & Carne Viva

sábado, 12 de novembro de 2016

pátria a(r)mada



pátria a(r)mada

só me queira assim caçado
mestiço vadio latino
leão feroz cão danado
perturbando o teu destino

só me queira enfeitiçado
veloz macio felino
em pelo nu depravado 
em tua cama sol à pino

só me queira encapetado
profanando aqueles hinos
malandro moleque safado
depravando os teus meninos

só me queria desalmado
cão algoz e assassino
duplamente descarado
quando escrevo e não assino

Artur Gomes
foto.poesia
do livro: Couro  Cru & Carne Viva

www.goytacity.blogspot.com 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

tecidos sobre a terra


tecidos sobre a terra

terra,
antes que alguém  morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

minha terra é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta - avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti me ponho a luta
mesmo sabendo o vão - estreito em cada porta

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço dos teus comandantes
só me enterro a fundo nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

Artur Gomes

do livro: Suor & Cio 1985

terça-feira, 1 de novembro de 2016

poema antibíblico


Poema AntiBíblico

De Santa Cruz de La Sierra
passando  por PortoViejo
direto de Cavajarro
por ser de carne osso não de barro
te mando um beijo ó Amada!
pelo quanto que encerra
nosso amor BolivariAndo
só amando o que é nosso
o país que sobrevive em nossos corpos 
a semente que plantamos - nosso chão

é preciso não temer o canalha
nem se amedrontar com os hipócritas
se vivemos independentes
armados de palavra até os dentes
pra combater a podridão. 

Artur Gomes Gumes