segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Oxum


Oxum

a minha mãe é uma leoa
ai de quem ameaçar um filho dela
ela vira um bicho uma fera
para defender a sua cria
a minha Oxum é de Xangô
e seu amor é nossa guia


Jura Secreta 55


Xangô é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço
faz do meu colo teus braços

Oxossi é carne da mata
Yansã é fogo vento tempestade
Iemanjá água do mar
Oxum é água doce

Oxalá em ti me trouxe
te canto com0 se fosse
um novo deus em liberdade



Jura Secreta 54

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo o que me pintar eu invento
como um beijo no teu corpo agora

desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta
sendo animal da Mata Atlântica
quântico amor ou meta física
tudo que em mim não há respostas

metáfora dAlquimim fugaz Brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele sobre as tuas costas

os bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata

em que despes de mim o ser humano
e do corpo rasgamos todo pano
e como um deus  pagão pensamos sexo

Artur Gomes
foto.poesia
FULINAÍMA MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
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(22)99815-1266 - Whatsaap



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

linguagem movimento


linguagem/movimento

anda pelo ar
uma palavra interrogação
o que será?
o caranguejo
o beijo
objeto do desejo
linguagem movimento
ou será o éter pelo vento
escorrendo em minhas mãos?
onda que não cessa
nuvem cerebral espessa
sob um céu de capricórnio
extensa teia que aranha
nunca cessa de tecer

Federico Baudelaire

foto: Artur Gomes




na vertigem do dia

uma nuvem tenebrosa
sob um céu de agosto
onda nebulosa
debruça no meu rosto
quando Yemanjá me espera
onde tudo é posto
o amor meu desespero
no corpo em desalinho
o mar do meu sossego
na uva do teu vinho

Federika Lspector




desejo confesso

tenho desejos no corpo
entrando no cu-tovelo
e toda noite de agosto
aumenta meu pesadelo
se Netuno ainda mora no mar
irá ouvir meu apelo
me leva pra outro mar
para eu dourar os meus pelos.

Gigi Mocidade



 

jura secreta 4

a menina dos meus lhos
com os nervos à flor da pele
brinca de bem-me-quer
ela ainda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

Artur Gomes

isadora zechin - foto: Artur Gomes

ando perdendo o sono
com uma formiga
que me atravessa o corpo
nem sei de onde vem
nem para onde vai
mas me perfura a carne
os nervos os músculos
não é justo logo comigo
essa maldita aflição
esse pedaço de desassossego
dentro da vertigem
sem nenhuma explicação

Gigi Mocidade





Ode a Iansã

durante o amor o beijo é tempestade

o coito é mar de fogo o corpo é ventania


o punhal de vênus 

me penetra a boca
abaixo do umbigo

convido então o mar

o rio o vento
tudo em movimento
pra gozar comigo


depois do amor o corpo é maresia

o mar o rio o vento
cessa o movimento
no meu corpo em calmaria


Federika Lispector




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Artur Gomes entrevista Junior Brassalotti



Sidney Herzog e Junior Brassalloti - foto: Artur Gomes

Os atores santistas Junior Brassalotti e Sidney Herzog passaram por Campos dos Goytacazes no último final de semana com o sensacional espetáculo Palhaçada Federal, provocando gargalhadas gerais no Teatro do Sesc onde foi apresentado na última sexta feira 11.

Junior, além de ator e produtor cultrual é Diretor de Produção do Festival Curta Santos, que este ano chega a sua décima edição com uma homenagem ao futebol arte em suas várias Mostras, que será realizada de 17 a 23 de setembro.

Além disso Junior tem sido um grande parceiro na divulgação do Festival de Cinema do IFF. Aproveitando sua estada entre nós, o levamos para conhecer os Espaços do Campus Campos Centro, onde começamos a aprofundar uma parceria onde breve possamos ter em nosso campus uma Retrospectiva de várias Edições do Curta Santos.

A seguir um bate papo com Junior Brassalotti sobre Teatro e Cinema
1. Como começou o Festival Curta Santos?
Começou como todo bom projeto de cultura: numa mesa de bar! Num bate papo logo após o encerramento de um festival estadual de teatro que organizávamos aqui, Bete Mendes e o escritor e cineasta José Roberto Torero, que eram homenageados no evento, comentaram que poderíamos fazer um festival de cinema, que a cidade era ideal para isso e etc. Ficou por ai a ideia mas a vontade surgiu. No ano seguinte, recebemos uma ligação do Torero que tinha marcado uma reunião com a produtora dele de São Paulo, a Zita Carvalhosa, que é a diretora do festival Internacional de Curtas Metragens de São paulo, um dos 5 maiores do mundo e lá fomos nós conhecê-la. Trouxemos uma mostra itinerante do festival pra Santos aquele ano, 2002 e tínhamos uma mostra de filmes regionais, a mostra Curta Santos - Olhar Caiçara, apareceram 26 curtas, que exibimos sem seleção a titulo de incentivo, na edição do ano passado tivemos mais de 180 trabalhos produzidos pela Região... e o mais interessante não é o crescimento numérico, e sim qualitativo.
 2. Como é você um homem de teatro estar a frente de um Festival de Cinema?
   
É unir o útil ao agradável. Comecei no teatro pois era apaixonado por cinema, não sabia que um dia iria conseguir trabalhar com cinema, ainda mais na produção de algo que me possibilita ser o elo de ligação  de obras fantásticas com o público. Ao pensar cultura, penso em acesso, filmes são feitos para serem vistos, é um orgulho poder ajudar tantos filmes a circular e encontrar suas platéias! Fora que podemos brincar todo ano com o fazer teatral nas nossas aberturas, onde não seguimos o padrão dos festivais, que é exibição e falas institucionais, fazemos grandes e elaboradas  encenações, homenagens ensaiadas com grupos de teatro, bailarinos, bandas, fazemos um show realmente onde os palcos dos teatros celebram a eternidade que o cinema dá ao trabalho dos artistas.
3. Como você vê a perspectiva de uma parceria do curta Santos com o Festival de Cinema do IFF?

É algo muito rico e que deve servir de exemplo pra tantas instituições e festivais. Desde sempre nós tentamos achar parceiros criativos, com os quais possamos realizar ricos intercâmbios e trocas de experiências onde quem sai ganhando, mais uma vez é o publico e o realizador, que vê sua obra indo ao  quatro cantos através de parcerias como essa. Fora que tive o prazer de conhecer  os espaços da IFF e ver a estrutura física fantástica de lá e a provocação e formação de cidadãos criativos e pensantes que, com certeza, farão diferença na sociedade.
4. Recentemente você e Sidney Herzog, passaram por Campos dos Goytacazes apresentando o espetáculo Palhaçada Federal no Teatro do Sesc  seguido de um bate papo descontraído comum grupo de estudantes. Para vocês houve alguma novidade na colocação deles sobre a problemática que o espetáculo coloca em discussão?

Houve sim, na medida que estávamos em outra cidade com uma configuração política diferente (ou igual?) a nossa aqui em Santos. Aliás, adoramos nossa passagem por Campos, publico atento, vivo, participativo, que interagiu, riu, dialogou. Muito gostoso mesmo! Tivemos várias impressões, subjetivas e objetivas a respeito do espetáculo e principalmente sobre o tema, pudemos entrar em contato com pessoas que se indignam com os absurdos dos nossos representantes eleitos e propor um ágora, um espaço de discussão, não apenas estética, mas de ideias, de troca de angústias e de utopias possíveis. Voltamos pra Santos repensando várias coisas a partir do papo com a plateia de Campos, o que só enriquece nosso trabalho.
5. A opção por uma linguagem circense no Palhaçada Federal, foi a forma encontrada para que vocês pudessem apresentar ao público de uma forma bem humorada, um conteúdo tão sério, como a corrupção política no país? 

Sim, o circo é a maneira que esse coletivo encontrou para dialogar com sua plateia. Utilizamos a linguagem circense para ajudar a contar nossa história, e através da poesia visual e lúdica do circo e do riso do palhaço, botar o dedo em algumas feridas do Brasil, em especial na corrupção na política brasileira, que tem a capacidade de nos surpreender a cada dia, quando pensamos que já vimos tudo... lá vem eles com um estratagema novo! E lá estamos nós, atentos. Queremos sim o riso, é nossa função, mas o riso acompanhado da reflexão, afinal a raiz do riso é sempre a lágrima.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Jiddu Saldanha e o Cinema Possível em Cabo Frio




Noélia Albuquerque
Jiddu se preparando para encenar mais um número de mímica, um de seus talentos
1
joao xavi · São João de Meriti, RJ
9/7/2009 · 18 · 2
Jiddu Saldanha é uma daquelas figuras inspiradoras, que em uma breve conversa nos traz uma série de reflexões e novas perspectivas para questões gritantes aos dias que vivemos hoje (da forma como produzimos e consumimos cultura, até a maneira que nos relacionamos como sociedade)

Graças à sorte ou a uma justiça divina (escolha aqui sua fé, e siga em frente!) tive a chance de conhecê-lo na primeira etapa das Oficinas Humano Mar em Cabo Frio. Inquieto, o curitibano que atualmente mora na Região dos Lagos tem uma longa vivência artística e toca vários projetos instigantes, sempre de olho no diálogo, no encontro e na troca.

Desta sede de realizar, Jiddu constrói filmes feitos com câmera fotográfica e editados em programas simples. Além de produzir de forma avassaladora ele ainda encontra tempo pra articular exibições de cinema nas casas das pessoas. Conheça um pouco da história de Jiddu lendo sobre tudo isso e mais um pouco nesse bate papo que tivemos via MSN.
(Entrevista por Igor Barradas, Paulo Mainhard e João Xavi)

Como foi sua trajetória até chegar ao Cinema Possível? 
Jiddu: Sempre fui cinéfilo, em Curitiba fui ao cinema pela primeira vez ver um filme chinês chamado DRAGÃO CEGO CONTRA O LOBO BRANCO... eu tinha 8 anos de idade! O Nome do cinema era ARLEQUIM, foi meu irmão mais velho que me levou e o porteiro deixou a gente entrar de graça porque ficou com pena da gente... Andamos 8 km para chegar ao cinema que ficava no centro da cidade!

Começamos bem...
Jiddu: Foi paixão à primeira vista, eu fazia de tudo para ver um filme! Inclusive apresentava números de dança para os porteiros, cantava músicas americanas num inglês fingido, qualquer mico era melhor do que ter que suportar a infância abandonada dos anos de chumbo! Eu fiquei famoso na minha comunidade por que tinha o hábito de contar filmes para os amigos... era um jogo interessante, no fundo os filmes não existiam, minha cabeça era muito fantasiosa e todo mundo gostava de me ouvir contar filmes!

Depois veio o teatro amador e então um encontro com dois cinéfilos doentes que foram meus primeiros professores de teatro. O Professor Mario Belino e o Jairo Lourenço...

Mário disse para mim que se eu não assistisse pelo menos um filme do Pasolini que não o procurasse mais! Por sorte vi no Corujão da Globo, na casa de uma suposta namorada Mama Roma! E aí pronto... o cinema virou um sonho inatingível mas autêntico... Já nos anos 80, na faculdade de teatro todos os atores iam ao cinema ao invés de teatro e só aí é que pude conhecer, de fato, o cinema Nacional... Inclusive, neste período virei mímico por causa do cinema (Chaplin,Buster KeatonMazzaropi...)


E que impressão você teve quando conheceu o cinema nacional? 

Jiddu: O Primeiro filme brasileiro que vi não lembro o nome, mas era de um personagem famoso lá no sul chamado TEIXEIRINHA! Acho que o nome do filme era VERIDIANA, era um filme caipira, ao estilo Mazzaropi mas com o toque mais ao sul do Brasil, Teixeirinha era um ídolo, que fez a famosa música "Coração de Luto", que é também conhecido como CHURRASQUINHO DE MÃE...
Depois, claro, vi todos os filmes dos Trapalhões e Mazzaropi! Até verVereda da Salvação, com o Raul Cortez, um puta filme!

E o cinema novo ou marginal paulista, chegava até você?
Jiddu: Por incrível que pareça não! Consegui ver o filme da Carla Camuriti, com música do Arrigo Barnabé, que acho que se chamava NOITE, se não me engano... A gente via mesmo é o cinema Carioca! O Rio de Janeiro era um mito na cabeça de qualquer curitibano... São Paulo soava mais operária e o Rio tinha uma imagem de prazer por causa da poesia do Vinícius e as novelas da Globo!

O nome do filme era Cidade Oculta, estamos no inicio dos anos 80, certo?
JidduCidade Oculta, isso mesmo! Mas quando vi A Idade da Terra, do Glauber, enlouqueci de vez! Entrei em transe!

O mais louco dos filmes do Glauber, o mais transgressor...
Jiddu: Com certeza, eu trabalhava num banco, fui do comitê de greve e o Gerente me ofereceu a oportunidade de sair sem ser demitido por justa causa. Recebi a rescisão do contrato de e o fundo de garantia. Pequei essa grana e comprei meu primeiro Vídeo-Cassete e aí botei pra quebrar! Vi toda a obra do Kurosawa,BergmanPolanski...

Em Curitiba quase não havia Cinema Nacional mas consegui ver os clássicos da AtlântidaCinédia Vera Cruz! Inclusive o famosoPagador de PromessaO Cangaceiro entre outros!

E como era viver isso tudo em Curitiba?
Jiddu: Devido à influência Imigrante de Curitiba eu vi muito cinema Italiano e Alemão! Até hoje as pessoas estranham como eu, com essa cara de brasileiro puro, falo do cinema alemão com tanta naturalidade. Muito simples: Curitiba nos anos 70 pululava de descendentes de imigrantes alemães, poloneses e italianos, então, vi o neo-realismo italiano como quem vê um filme do Mazzaropi!

A tecnologia trouxe a possibilidade de se fazer cinema com um celular, mas isso traz consigo uma poluição audiovisual. Como navegar nessa nova realidade? Qual é a responsabilidade dos cineastas de hoje diante dessa realidade?
Jiddu: Concordo com você, inclusive no começo do meu projeto eu tinha consciência de que estava contribuindo muito mais para a poluição visual do que para o cinema em si. Mas acho que havia uma possibilidade! Que não era bem o discurso que os agentes que produzem cinema davam...

Eu acho que nós, no Brasil, temos que aprender a realizar primeiro e para que isso aconteça é necessário ter coragem de se expor! Acho hoje meus filmes melhoraram muito, e agora eu entendo exatamente a extensão do risco que corri! Mas parece que o projeto foi se salvando pelas minhas escolhas e também pela minha intenção!

Um processo de formação, até meio autodidata...
Jiddu: Isso mesmo! Eu assumi a minha condição terceiromundista, a minha probreza... Na verdade eu sou inspirado por um cineasta de São Paulo de quem nunca vi nenhum filme mas só de saber da história dele me emociono. O Ozualdo Candeias! Dizem que ele foi o único cineasta brasileiro que terminava de fazer um filme e voltava pra vidinha pobre dele onde faltava tudo. Na verdade ele foi um exemplo de que o sonho do cinema não podia ficar restrito à classe média que tem acesso ao estudo e aos equipamentos mais caros! Então, nesse sentido, o cinema foi um encontro da inspiração com a possibilidade!

Quanto tempo o cinema possível tem de estrada e quantos rebentos ele já produziu?
Jiddu: Bom, eu produzi muitos filmes mas, claro, meu projeto está numa fase de triagem e dos quase 100 filmes que fiz nos últimos 2 anos e meio consideram pelo menos uns 20. Sendo que eu faço vários experimentos, pois, meu objetivo principal é entender o processo de um filme... então, eu faço vários tipos de audiovisual: documentários, clipes, ficção, cinepoema... e muito material experimental!

E onde é que esses filmes vão parar?
Jiddu: Pois é, pouca gente sabe que sou publicitário de formação. Então, meus filmes são muito mais assistidos do que parecem! Eu tenho os canais de usuário no Youtube, são 6 ao todo, onde classifico os filmes por estilo. Mas também já participei de diversas mostras no Rio Grande do Sul, no Amapá, No Rio de Janeiro e aqui em Cabo Frio meus filmes foram mostrados no Cine Tribal e no meu cineclube itinerante, o Cine Mosquito. O que eu evito são os festivais competitivos!


Por que evita os festivais competitivos?

Jiddu: Percebi que os filmes feitos com baixar resolução ainda não são levados muito a sério nos festivais!

É verdade. Será preconceito? Burrice? Elitismo?
Jiddu: É complicado mostrar o filme se ele não for contextualizado antes! Aí fica parecendo que a gente não sabe fazer e na verdade não é esta a discussão que me interessa. O cinema de baixa resolução é uma estratégia de inserção social e aí entra o projeto que desenvolvi na ONG CECIP durante um ano!

Fala mais sobre o trabalho no CECIP...
Jiddu: Ensinei a técnica de Cinema Possível para professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, e fizemos duas mostras, tudo através do CECIP.

E que técnica é essa?
Jiddu: A idéia é convencer o professor a editar seu próprio acervo. Numa primeira fase a gente não entra com o discurso do OLHAR, e sim com a estratégia de implementar um novo hábito nas pessoas de editar seu próprio material audiovisual!

Reciclagem audiovisual...
Jiddu: É importante construir esse hábito e ensinar o pessoal a trabalhar com software simples... e o mais simples de todos é o MOVIE MAKER. Só então, numa segunda faze entramos com o discurso cinematográfico de fato!

Como é o seu processo de trabalho?
Jiddu: Meu processo começou muito compulsivo, tive que aprender tudo sozinho! Filmava tudo o que via, fazia um filme e depois avaliava o resultado. Quando conseguia a chegar numa síntese chamava um ator para fazer um filme com ele!

Não entendi, explica melhor...
Jiddu: Eu experimentava as linguagens de cinema, e ao mesmo tempo estudava o limite técnico da máquina, do programa de edição e só fazia um filme quando tinha o domínio técnico do que eu queria dizer! É por isso que o cinema possível não gera filmes em grande quantidade porque ele contém uma estratégia de experimentação auto-didática! Anoto tudo, inclusive fiz uma apostila do método...

100 filme em 2 anos não é uma grande quantidade?
Jiddu: Como eu te disse antes, não considero 100 filmes como produto e sim, algo em torno de 20 filmes!

Mesmo assim Jiddu, é quase um filme por mês!
Jiddu: Coloco como resultado específico em 2 anos algo em torno de 20 filmes onde considero o resultado. Mas acho que teu processo não engloba as fazes do cinema possível, acredito que seja uma outra filosofia! No meu caso existe uma investigação e experimentação muito aberta onde a quantidade é muito necessária nesta fase!

Mas na prática Jiddu, como que é? Que câmera você usa, em que condições você produz? Com que equipe?
Jiddu: Pois é, você tocou num assunto polêmico! Eu não considero a tecnologia um fator limitante, mas sim instigante. Então eu trabalho atualmente com uma câmera fotográfica de 10 megapixels... Não estamos falando de um cinema convencional, mas de um cinema que se apóia na precariedade e na invenção de si mesmo!

O cinema sempre foi visto como uma arte coletiva, e agora esta se tornando uma arte individual. Como vc vê isso? Quem faz o cinema possível, o Jiddu e mais alguém?
Jiddu: Tudo no cinema possível é fruto de trabalho de que envolve muitas pessoas, mas não existe a organização clássica do cinema indústria! Nos meus filmes eu trabalho com músicos, atores, a diversos tipos de apoio... OS APOIOS POSSÍVEIS!

O que acontece é que o fator coletivo no cinema depende de diversas questões! O Cinema Possível não é um coletivo de 10 ou 20 pessoas, mas nenhum filme que faço é solitário, entende?
Quando fui estudar na Darcy Ribeiro eu tinha uma produção e queria discutir o caminho que tava trilhando, a professora, Inez Cabral, foi muito aberta e entendeu profundamente minha intenção...

E o Cine-Mosquito, ver filme juntinho é mais gostoso?
Jiddu: Pois é, o Cine Mosquito é mais um passo para romper com a solidão e preconceito. Muitos dos filmes produzidos no Brasil, não só meus, não têm como ser mostrado!
A idéia de um cineclube itinerante que vai na casa das pessoas gerou bastante audiência para filmes de muitos cineastas... inclusive o filme Curtindo a Vida Armado foi mostrado em 3 sessões para públicos diferentes dentro de Cabo Frio, tendo chegado a um público de aproximadamente 60 pessoas. Esse número parece que não é nada se pensarmos no cineclube tradicional ou na sala de exibição, mas é um número que aponta para uma tendência que pode mudar a forma de ver cinema nacional.

Como funciona o Cine-Mosquito?
Jiddu: Na verdade não existe nenhuma novidade em se mostrar filmes na casa das pessoas mas o Cine Mosquito tem algo de novo que é dar um caráter organizacional para a coisa!
Uma delas é a curadoria dos filmes, os critérios de escolha que devem ser discutidos com o dono da casa, a outra é evitar transformar o encontro num evento com telão e tal. Queremos ver os filmes na TV normal que as pessoas possuem em suas casas. E o evento só acontece quando alguém oferece sua casa. Este ano eu realizei apenas um no Amapá, dentro de uma universidade. O conceito ainda está sendo implementado, por isso, é difícil dar uma definição técnica. Mas se tivermos 12 convites durante um ano, teremos um Cine Mosquito por mês, até agora fizemos 6, todos os eventos são catalogados no blog.

Tá, então convido você para uma exibição na minha casa!
Jiddu: Seria ótimo! Existe uma questão de hábito aí e é onde o projeto ganha! No futuro as pessoas vão receber dinheiro para exibir filmes na sua casa! Essa é uma tendência... não sou eu que digo isso e sim o DOMÊNICO DI MASI

Mas se a casa é minha e a curadoria também, qual é o diferencial?
Jiddu: A Curadoria não é sua apenas é nossa! Existem critérios para que uma exibição na sua casa possa se chamar Cine Mosquito, entende?

Quais os critérios?
Jiddu: Estou tentando explicar o que é que acontece e porque o Cine Mosquito ainda não é uma idéia usual, depende de muita reflexão, diálogo e por isso ainda não temos como garantir uma programação mais continuada do evento!

A TV é um aparelho que compramos para exibir filmes consensuais. Ela é um terminal periférico para a exibição de conteúdos veículados não necessariamente por nós!

A discussão que o Cine Mosquito levanta é a apropriação desse objeto caseiro para a exibição de filmes escolhidos pelo dono da casa e direcionada ao público que ele quer mostrar!
A idéia parece simples mas não é, porque é um conceito amparado numa mudança da forma como nos apropriamos das imagens produzidas no planeta!

Cabo Frio tem uma perspectiva particular?
Jiddu: Com certeza Cabo Frio é uma surpresa no que tange ao fazer cinema! A cidade teve a sorte de ter um festival de cinema e o trabalho do Observatório Humano Mar que canalizou um momento e, modestamente, me permito dizer que o cinema possível ajuda muito a cidade! Assim como está sendo muito bom pra cidade o trabalho feito pelo Observatório, que sabemos, está mudando o destino de muita gente, inclusive posso afirmar que, devido a uma antena que tenho ligada no meu instinto de sobrevivência, o Cinema Possível também bebeu na fonte deste projeto.

Nos Cine Clipes você usa músicas de compositores famosos. Como você vê a questão dos direitos autorais? Hoje, o que é respeitar o autor?
Jiddu: Todas as músicas que uso são autorizadas! É um trabalho de parcerias, apesar de alguns músicos serem conhecidos, muitos nunca tiveram um Cine Clipe falando de sua obra.

Eu acho importante respeitar os direitos autorais, isso é fundamental! Mas eu desenvolvi técnicas de abordagem para chegar nesses profissionais e convencê-los a fazer o Cine Clipe. É importante que eles vejam que o paradigma da produção musical mudou no Brasil e a parceria é importante para que todo mundo possa ter visibilidade!

O Brasil é um país de concentração de renda, poder e saber. De vez em quando precisamos ter idéias e parcerias inovadoras para evitar que só alguns ganhem enquanto os outros ficam à margem!

E as perspectivas, o futuro?
Jiddu: Eu sou bem otimista. O projeto DO GIZ AO PIXEL, realizado na ONG CECIP foi um grande sucesso! A própria ONG quer dar continuidade e já me chamou pra conversar. Este ano tenho alguns convites para viajar e falar deste projeto, é um trabalho de formiguinha e ainda muito solitário, mas já está dando frutos!

Site do Jiddu:
http://www.jiddusaldanha.com/

Canal do Cinema Possível no Youtube:
http://www.youtube.com/user/cinemapossivel

Cinema Possível no Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=55087

Cine Clipe no Youtube:
http://www.youtube.com/cineclipe

Blog do Cine Mosquito:
http://www.cinemosquito.blogspot.com/

ORIGINALMENTE PUBLICADO EM:
http://www.humanomar.com.br